Artigo - Resenha do livro 'Plastic Ocean', de Charles Moore

Resenha do livro 'Plastic Ocean', de Charles Moore1

A história do Capitão Charles Moore começa em 1997 em uma viagem ao oceano Pacífico, quando pela primeira vez esse marinheiro experiente nota que durante todo o trajeto seu barco navegava em meio a um oceano cheio de lixo. Foi a partir desta viagem que Charles Moore, fundador do instituto de pesquisas marinhas Algalita, institucionalizou o termo 'Pacific Garbage Patch', ou Rota de Lixo do Pacífico. Começa então uma longa e corajosa saga para promover pesquisa científica sobre a quantidade e os impactos causados pelo lixo marinho sobre a saúde dos oceanos e de sua biodiversidade. Graças ao Capitão, atualmente esse problema finalmente está se tornando um ponto sensível para autoridades e órgãos internacionais que zelam pela saúde dos oceanos.

A partir de sua descoberta, Charles Moore e uma equipe de cientistas começaram a desenvolver metodologias científicas para que a quantidade de lixo plástico pudesse ser medida por amostragem, juntamente com esforços para identificação do tipo e da origem do lixo encontrado. Os resultados das pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos são impressionantes, seja em termos do aumento de 'macroplásticos' ou seja, pedaços inteiros ou parciais de objetos como redes de pesca profissionais, sacolas plásticas, balões, garrafas e tampas e outros, seja do aumento dos 'microplásticos', formados pela fragmentação do lixo por desgaste e pela incidência dos raios solares. Estudos apontam que os 'microplásticos' possuem, em algumas regiões estudadas, biomassa maior do que a biomassa de plâncton e zôoplancton, a base da cadeia alimentar nos oceanos. Esses 'microplásticos' estão sendo incorporados na cadeia alimentícia, sendo confundidos por comida por peixes, pássaros, tartarugas, baleias e outros. A ingestão de plástico é hoje, segundo o autor, a segunda maior causa da morte de animais marinhos, atrás apenas da pesca comercial. Essa mortandade se dá pela 'indigestibilidade' dos materiais e pela toxicidade gerada pelos componentes plásticos e seus diversos aditivos.

As causas do aumento do lixo marinho estão relacionadas ao despejo de lixo urbano nos rios mundiais, bem como à baixa governança existente em relação ao descarte de equipamentos da pesca comercial e do lixo jogado por navios cargueiros, turísticos, etc. Charles Moore explica que, apesar de existirem leis internacionais que proíbem esse tipo de prática, a fiscalização é falha e a estrutura dos portos mundiais precária e despreparada para receber o lixo dos navios, que muitas vezes fazem dos oceanos sua lixeira particular.

Uma grande preocupação do autor é identificar maneiras para que possamos conter esse acúmulo progressivo de lixo, tentando assim diminuir os enormes impactos causados às espécies marinhas e aos oceanos. Segundo ele, limpar os oceanos seria uma tarefa quase impossível, nos restando a opção de parar o fluxo de lixo e dar ao nosso maior e mais importante ecosistema uma chance para se recuperar.            

A dedicatória do livro fala sobre essa esperança: 'Para a geração, ainda não nascida, que cria um mundo onde a poluição plástica é impensável'.

 

 

Plastic Ocean 1 Moore, Charles and Phillips, Cassandra. Plastic Ocean - How a sea captain's chance discovery launched a determined quest to save the Oceans. Penguin Group (USA), 2011.

 

 

  

Categoria: Artigo

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