Artigo - Não apenas a comida, mas também a água deve ser local

Não apenas a comida, mas também a água deve ser local

Você já deve ter ouvido falar da importância da alimentação local quando o assunto é a gastronomia sustentável. A comida produzida localmente gera renda para pequenos agricultores e promove a economia da região, possuindo também uma pegada ecológica mais  baixa se comparada às opções de alimentação que vêm de outros estados ou países. Além disso, geralmente associa-se a comida local com alimentos sazonais, orgânicos e/ou produzidos de forma ética no que diz respeito à saúde do solo e da biodiversidade. Na verdade esse movimento está causando uma pequena revolução com o surgimento dos hortelões urbanos, pessoas que começam a produzir parte de sua comida em suas moradias e promovem a agricultura de forma participativa também em locais públicos como praças e parques. 1

 Mas o que pouco se fala é que a água também deve, de preferência, ser consumida localmente. Assim como a comida, ela pode ter uma enorme pegada ecológica para chegar até seu local de consumo. Pense em uma garrafa de água que vem de uma cidade ou de um país distante. A todos os impactos ambientais das embalagens que acondicionam a água some-se as emissões atmosféricas ligadas ao seu transporte desde o local de envase até onde será consumida. Logo, o consumo da água local em detrimento da água engarrafada deveria se tornar item essencial da cartilha da alimentação sustentável.

Além da ingestão da água, parte essencial da nossa sobrevivência, todos os outros usos que fazemos dela em nossas casas, locais de trabalho e para nosso lazer, são muito importantes para garantir saúde, qualidade de vida e bem estar. A partir da reflexão sobre a grande importância dos vários usos da água local podemos analisar a questão através de um espectro muito mais amplo. O acesso à água tratada e saneamento básico são considerados pela ONU como um direito de todo ser humano. Mas infelizmente, o que vemos atualmente no Brasil são indicadores alarmantes de lentidão e inação do poder público para com nosso direito fundamental.

O Instituto Trata Brasil divulgou recentemente o ranking do saneamento básico no país2.  Os avanços existem, mas são lentos e pobremente distribuídos entre as regiões brasileiras. O indicador de acesso à água tratada está a caminho de se tornar universal, porém a coleta e tratamento de esgotos encontra-se bem distante de metas de universalização. No atual ritmo essas metas não deverão ser atingidas nem mesmo em 2030. No longo prazo, se não coletamos e tratamos os esgotos produzidos, estamos contribuindo para a piora da qualidade da água que nos abastece. E nesse ciclo vicioso, perdemos todos.

Veja a situação dos rios brasileiros onde o despejo de esgoto in natura está entre as maiores causas de poluição e destruição da biodiversidade aquática. Os danos imediatos são sentidos pelas populações mais pobres, porém, no longo prazo, todos  estão sendo prejudicados. Ter acesso ao saneamento básico é sinônimo de um meio ambiente e seres humanos saudáveis. É sinônimo de desenvolvimento humano. Ter acesso à água tratada de boa qualidade e poder consumi-la localmente significa também que precisamos aprender com urgência a cuidar melhor dela.

 

1. se quiser conhecer um pouco mais sobre um desses movimentos acesse: https://www.facebook.com/groups/horteloes/

2. http://www.tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento

Ranking Saneamento


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