Artigo - Problemas complexos, soluções ao nosso alcance

Problemas complexos, soluções ao nosso alcance

A cidade de São Paulo enfrenta atualmente a mais grave crise hídrica de sua história. Para entender essa crise precisamos ter em perspectiva a visão macro do problema, cujas soluções são complexas, necessitam de ações coordenadas e muitas vezes investimentos vultosos. Porém, do ponto de vista prático, cabe a cada um olhar para o próprio umbigo e entender que ações para uso responsável da água estão literalmente logo ali na próxima descarga do banheiro ou na limpeza da louça suja do jantar.

Fazer essa distinção entre as dimensões macro e micro do problema da falta de água é a maneira mais fácil de não nos paralisarmos diante deste verdadeiro horror que é ter torneiras secas em casa. Porque é urgente agir agora e se engajar na busca por um novo padrão de consumo que caiba em nossas caixas d'água. Nosso raio de ação se dá principalmente de forma individual e na capacidade de envolvermos a família nesse esforço de mudança. Para aqueles que moram em condomínios é necessário pensar ações conjuntas que aumentem a capacidade da comunidade de reagir à escassez de água, que será cada vez mais frequente. Fazer a captação da água de chuva para uso na limpeza de áreas e comuns e rega de plantas, por exemplo, é uma opção relativamente simples, barata e ao alcance de todos.

Outro fato importante é entendermos que a escassez hídrica não pode ser pensada de forma isolada. É preciso 'ligar os pontos' para alcançar uma perspectiva mais ampla da questão. O desmatamento dentro e no entorno da cidade de São Paulo é responsável direto pela menor resiliência de nossos mananciais. Menos árvores, menos água. Nossas deficiências no gerenciamento dos resíduos sólidos gerados pela cidade afetam diretamente a qualidade da água que nos abastece. Mais lixo, água de pior qualidade. Um modelo hídrico baseado somente em regime de chuvas, sem nenhum incentivo ao reuso e ao desenvolvimento de fontes alternativas, claramente está esgotado. A água que cai do céu já não será mais a única solução milagrosa para todos os nossos problemas.

Não temos uma influência direta no campo das ações políticas e investimentos públicos, muito menos sobre os eventos climáticos extremos que nos assustam. Mas podemos nos tornar cidadãos mais conscientes dos direitos e deveres que nos competem e que afetam diretamente a nossa qualidade de vida. Quem sabe assim aprenderemos a fazer nossa parte e a cobrar dos governantes que também assumam a sua parcela de responsabilidade.

Água


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